“VAQUINHAS QUE PRODUZEM POUCO”: UMA DEMONSTRAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO COLONIALISMO INTERNO BRASILEIRO

Authors

  • André Felipe Soares Arruda
  • Francisco Florentino de Sousa Neto

DOI:

https://doi.org/10.56083/RCV4N5-021

Keywords:

Brasil, Norte, Nordeste, colonialismo interno

Abstract

O governador do Estado de Minas Gerais, Romeu Zema, no bojo da discussão da reforma do sistema tributário brasileiro, ao registrar a sua preocupação com a forma de repartição do produto da arrecadação tributária que, no seu entender, poderá beneficiar os estados das regiões Norte e Nordeste em detrimento das regiões Sul e Sudeste, acenou com a existência de um colonialismo interno, ao comparar os estados menos favorecidos socioeconomicamente do País com “vacas que produzem pouco”, fazendo oposição ao modelo em estudo no parlamento de maneira a manter e hegemonia dos estados dominantes sobre os estados periféricos. O colonialismo interno se manifesta pelo superdimensionamento valorativo das características culturais, raciais, físicas, etc. do povo ou da região dominante frente à diminuição das características do povo ou da região dominada, com o intuito de se conseguir vantagens econômicas. É exatamente isso o que se verificar na relação entre os nortistas e os sulistas brasileiros, em que estes fazem um apagamento da importância daqueles para se prevalecerem nas relações sociais, sobretudo de natureza econômica.

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Published

2024-05-06

How to Cite

Arruda, A. F. S., & Sousa Neto, F. F. de. (2024). “VAQUINHAS QUE PRODUZEM POUCO”: UMA DEMONSTRAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO COLONIALISMO INTERNO BRASILEIRO. Revista Contemporânea, 4(5), e4180. https://doi.org/10.56083/RCV4N5-021

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