CARTA À RAINHA LOUCA: A ASTÚCIA DE UMA FÊMEA COMO FORMA DE INSUBORDINAÇÃO

Authors

  • Arielle de Jesus Meireles Teixeira

DOI:

https://doi.org/10.56083/RCV3N8-180

Keywords:

Metaficção Historiográfica, Literatura Contemporânea, Romance Epistolar, Análise Literária

Abstract

O presente artigo analisa o romance epistolar “Cartas à Rainha Louca”, de Maria Valéria Rezende, publicado no ano de 2019. O estudo compreende o livro como uma narração e representação da vida dos sujeitos excluídos socialmente durante o Brasil Colônia. O gênero epistolar corrobora para a verossimilhança do relato encenado, pois a carta era um gênero literário forte no Brasil Colônia e retoma a tradição confessional da sociedade do século XVII. Com aporte teórico de Hutcheon (1991) e Jacomel (2008) compreende-se o romance como uma metaficção historiográfica. No artigo destaca-se como a obra questiona as relações de poder que construíram a História e que servem como referência para a constituição da nossa sociedade atual. A constituição das identidades dos sujeitos que estão presentes no relato epistolar da personagem Maria Isabel das Virgens para a rainha D. Maria I é problematizada pelo viés da Análise do Discurso de Brandão (2004), sobre o sujeito histórico marcado espacialmente e temporalmente, e de acordo com Lauretis (2019) sobre as relações sociais assimétricas em razão das representações culturais do sistema de gêneros. Por fim, compreende-se que a literatura contemporânea e a metaficção historiográfica colocam em xeque a noção do real, não somos capazes de diferenciar o que é inventado e o que é ficção, durante a leitura da obra não se deve ter a pretensão de fazer essa diferenciação. O romance de Maria Valéria Rezende é uma obra que vai na contramão do discurso da ordem e do poder, a sua leitura exercita a sensibilidade e a percepção poética quanto a narrativa do corpo feminilizado como lugar de pertencimento e valoração pelo outro.

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Published

2023-08-30

How to Cite

Teixeira, A. de J. M. (2023). CARTA À RAINHA LOUCA: A ASTÚCIA DE UMA FÊMEA COMO FORMA DE INSUBORDINAÇÃO. Revista Contemporânea, 3(8), 13267–13286. https://doi.org/10.56083/RCV3N8-180

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